“Nosso trabalho não foi em vão, os desdobramentos do trabalho da CPMI já começaram a aparecer”. A declaração da deputada federal Coronel Fernanda (PL), nesta sexta-feira (10), resume o clima após os primeiros efeitos concretos das investigações conduzidas pelo Congresso Nacional sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O principal avanço citado pela parlamentar ocorre após o empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro sob suspeita de participação em um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, confessar irregularidades e firmar acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF). O termo já foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que será responsável por analisar a validade jurídica do acordo.
Segundo as investigações, Camisotti controlava entidades que atuavam diretamente junto a aposentados, como a Ambec, a Unsbras e o Cebap. As organizações, que tinham como dirigentes funcionários e familiares ligados ao grupo empresarial, movimentaram cerca de R$ 580 milhões apenas no último ano. Desde 2021, o montante pode chegar a R$ 1 bilhão, conforme apuração da PF.
Autora da CPMI do INSS, Coronel Fernanda comemorou o avanço das investigações e destacou que a delação reforça a robustez do trabalho parlamentar. “Nosso trabalho não foi em vão. Já começamos a ver resultados concretos, com investigações avançando e responsabilizações sendo encaminhadas”, afirmou.
A comissão mista foi instalada em agosto de 2025 para apurar um amplo esquema de irregularidades no INSS. O relatório final pediu o indiciamento de 216 pessoas por suspeita de envolvimento em crimes que vão desde corrupção e organização criminosa até lavagem de dinheiro, fraude eletrônica e inserção de dados falsos em sistemas públicos.
Entre os nomes citados no documento estão figuras com influência política e econômica, o que, segundo a deputada, demonstra o alcance das investigações. Para a deputada, os desdobramentos já em curso indicam que o trabalho da comissão pode ter impacto direto no combate a fraudes no sistema previdenciário e na responsabilização dos envolvidos no esquema.






